Páginas

TOPO

terça-feira, 5 de julho de 2016

Veja as diferenças entre fiador, seguro-fiança e garantia de aluguel

Inquilino precisa dar garantias na hora de locar, saiba mais

Na hora de alugar um imóvel, são exigidas medidas que garantam ao proprietário que o pagamento será realizado até o fim do contrato. A opção mais comum é a indicação de um fiador, primeiro porque é uma possibilidade segura e segundo porque não gera custos adicionais ao proprietário e ao inquilino.

Seguro-fiança

Se o inquilino não tem a possibilidade de conseguir um fiador, uma outra opção é fazer o seguro-fiança, oferecido pelas seguradoras. O inquilino vai precisar pagar um valor mensal para garantir que as despesas serão cobertas em caso de não pagamento do aluguel.
seguro-fiança ou fiador de aluguel: saiba o que é melhor
Se o inquilino não tem a possibilidade de conseguir um fiador, uma outra opção é fazer o seguro-fiança, oferecido pelas seguradoras (Foto: Reprodução/Shutterstock)
Para o proprietário do imóvel, esta opção é bastante vantajosa principalmente porque, em caso de inadimplência, o seguro começa a pagar o aluguel imediatamente, enquanto que com fiador o pagamento só é realizado após o processo judicial. Para receber, o proprietário precisará notificar a falta de pagamento para ser ressarcido.
Porém, este recurso não é tão utilizado porque ele pode pesar no bolso do locatário. O futuro morador do imóvel vai pagar uma taxa, que pode chegar ao valor de um aluguel ou até mesmo um aluguel e meio por ano. E esse valor não será devolvido no final do contrato, como acontece com a garantia de aluguel. “Para o proprietário, esta opção é mais cômoda porque ele vai receber de todo jeito da seguradora. E se o inquilino não tem um meio de dar a garantia necessária para alugar o imóvel, vai ter que arcar com o ônus de pagar o seguro fiança”, ressaltou Manoel da Silveira Maia, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RJ).

Fiador

Na hora de fazer o contrato, se a opção for por um fiador, serão exigidos vários documentos que comprovem a possibilidade de a pessoa se tornar fiadora. Não é exigido ter grau de parentesco, mas algumas regras devem ser cumpridas. Uma delas é que o fiador deve possuir um imóvel próprio em seu nome e na mesma cidade onde o apartamento e casa será alugado. Também é exigida a comprovação da renda. Normalmente esse processo é um pouco mais lento do que os demais porque exige a análise da documentação do fiador e a aprovação deles.
fiador
O fiador deve possuir um imóvel próprio em seu nome e na mesma cidade onde o apartamento e casa será alugado (Foto: Reprodução/Shutterstock)
Em caso de inadimplência do inquilino, o proprietário pode demorar para conseguir acertar as contas porque ele vai precisar entrar com uma ação judicial para cobrar o valor devido do fiador. Porém, esta se torna uma possibilidade praticamente inviável para quem está se mudando para uma cidade nova e não tem parentes e nem um círculo de amizade fortalecido que possa assumir esse risco.
“A fiança depende de um terceiro, pessoa natural ou jurídica, que pague se o inquilino deixar de fazer. Mas está cada vez mais difícil encontrar encontrar quem se disponha a isso”, explicou Jaques Bushatsky, diretor de Legislação do Inquilinato do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).
Para André Callou, presidente do Conselho Consultivo da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), o fiador precisa ser uma pessoa próxima ao inquilino. “Mesmo que o locatário tenha algum fiador para indicar, em alguns casos o seguro-fiança se torna uma opção mais interessante porque evita qualquer tipo de atrito nas relações entre o inquilino e o fiador em caso de inadimplência. Ou seja, pode ser algo mais saudável”, ressaltou.

Garantia de aluguel

Uma terceira possibilidade é a garantia de aluguel. Neste caso, o inquilino vai precisar fazer um pagamento adiantado na hora de locar o imóvel. O valor que será usado como garantia pode chegar ao equivalente a três meses de aluguel, valor estipulado dentro da lei, mas é preciso estar no contrato. Esta possibilidade é vantajosa para o inquilino porque, ao término do contrato, ele pode reaver o valor, caso não exista nenhum dano no imóvel e não tenha necessidade de qualquer manutenção.
emprestimo
Na garantia de aluguel o inquilino vai precisar fazer um pagamento adiantado na hora de locar o imóvel (Foto: Reprodução/Shutterstock)
 21 de junho de 2016 às 12:17 - Fonte: ZAP em Casa  - Publicado por: Redação

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Vai financiar Imóvel? saiba quais documentos são necessários.


Saiba que documentos entregar de acordo com a sua categoria profissional ou fonte de renda
Entre as exigências pedidas pelos bancos quando um cliente pede um empréstimo e financiamento está o comprovante de renda. Sem ele, a instituição não tem nenhuma garantia de que o cliente é capaz de arcar com a parcela mensal cobrada, e o negócio se torna mais arriscado, além de as suas chances de ocorrer serem reduzidas.
Comprovar renda é fácil, mas os passos são diferentes para trabalhadores assalariados, autônomos, aposentados e pensionistas. No geral, no entanto, comprovantes de pagamento como contra-cheques e notas fiscais dão conta do recado, assim como uma cópia da última declaração do Imposto de Renda. Confira os comprovantes de renda que os membros de cada categoria devem apresentar.
Trabalhadores assalariados – Quem trabalha com carteira assinada e tem renda fixa deve levar a Carteira de Trabalho, cópia dos últimos três holerites e da declaração do Imposto de Renda.
Os trabalhadores horistas e com salário variável, cuja renda é mais flutuante, devem abranger um período maior na hora de comprovar renda. Por isso, muitas vezes se pede que levem os holerites dos últimos seis meses, além da declaração do IR.
Aposentados e pensionistas – Esse grupo deve apresentar os últimos três comprovantes de pagamento do benefício, além da declaração do Imposto de Renda e uma declaração do órgão previdenciário.
Trabalhadores autônomos  e profissionais liberais – Quem trabalha por conta precisa apresentar uma cópia do contrato de prestação de serviço, onde vem especificado o valor do pagamento mensal, além do documento do IR. O RPA (Recibo de Pagamento de Autônomo) e o DECORE (Declaração Comprobatória de Percepção de Rendimentos) também podem ajudar no processo de comprovação de renda, oferecendo mais subsídios ao trabalhador.
O DECORE é um dos principais comprovantes de renda para autônomos e profissionais liberais. Taxistas, caminhoneiros, dentistas e advogados comprovam renda a partir dessa declaração, que pode ser obtida com o contador da empresa aberta no nome do trabalhador. Notas de compras, pagamentos, recibos, extratos de banco e outros tipos de contas são reunidas, o contador elabora um Livro Caixa e, com ele, emite o DECORE.
Trabalhadores rurais – Trabalhadores rurais podem reunir a declaração do Imposto de Renda, a declaração de um sindicato, cooperativa ou associação e o DECORE.
Rentistas – Quem vive de aluguéis ou outros investimentos também tem como comprovar renda. Nesse caso, o Imposto de Renda é obrigatório. Dependendo do investimento, podem ser apresentados o DECORE ou um extrato de aplicações financeiras. Rendimentos de aplicações financeiras, por exemplo, como fundos, podem ser comprovado através de um extrato. Já rendimentos de distribuição de lucros de empresas é comprovado pelo DECORE.
Buscando financiamento imobiliário? A Melhortaxa compara as taxas das maiores instituições financeiras do país e indica a melhor opção de financiamento para seu perfil financeiro, sem cobrar nada por isso. Faça já uma simulação!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Venda supera aluguel em mercado de apartamento de luxo em NY

Nova York, Estados Unidos: oferta adicional está derrubando os aluguéis das unidades mais caras
A Extell Development está desistindo do plano de colocar 38 unidades de sua torre One57 para aluguel.
Em vez disso, a construtora de Manhattan resolveu vendê-las neste momento de queda da demanda por aluguéis de luxo causada pelo excesso de oferta.
Os apartamentos, do 32º ao 38º andar do arranha-céu da West 57th Street, serão colocados à venda com preços a partir de US$ 3,45 milhões, disse a Extell em um comunicado na segunda-feira.
A construtora concluiu que o mercado de venda de apartamentos nessa faixa, perto do extremo inferior do que é considerado luxo, está melhor do que o de aluguéis de alto padrão.
“Nós reconhecemos a demanda por apartamentos com um tamanho eficiente e de luxo abaixo dos US$ 10 milhões”, disse Gary Barnett, presidente da Extell, no comunicado. “Não há absolutamente nenhum produto comparável atualmente no mercado”.
Os aluguéis de luxo estão proliferando em Manhattan em um momento em que os compradores de apartamentos caros, em muitos casos investidores de fora da cidade, tomam posse de seus apartamentos e depois rapidamente o colocam para alugar.
A oferta adicional está derrubando os aluguéis das unidades mais caras. A mediana de aluguéis mensais de um apartamento de luxo em Manhattan -- unidade que representa os 10 por cento superiores do mercado -- caiu 3,5 por cento em março em relação ao ano anterior, para US$ 8.228, disseram a avaliadora Miller Samuel e a corretora Douglas Elliman Real Estate em um relatório na semana passada.
“Eu partiria do pressuposto de que eles não tinham força no mercado de aluguel de luxo”, disse Jonathan Miller, presidente da Miller Samuel, sobre o plano da Extell. “O segmento mais fraco do mercado de aluguéis é o de aluguéis de luxo”.
A Extell, que inicialmente planejava reservar os andares mais baixos da torre de 306 metros de altura para aluguéis, tentou anunciar unidades para aluguel no 37º andar em maio passado, segundo o site de anúncios StreetEasy. Os preços variavam de US$ 13.350 por mês por um apartamento de um quarto com 95 metros quadrados a US$ 50.366 por mês por um de três quartos.
A Extell também havia tentado vender as 38 unidades de aluguel em um único pacote para investidores externos por US$ 250 milhões, reportou o Wall Street Journal em novembro.
Totalmente mobiliado
As unidades agora listadas para venda -- a maior delas, um duplex de 431 metros quadrados e quatro quartos -- serão entregues totalmente mobiliadas, segundo o comunicado da construtora. Sete das 38 unidades terão preços de mais de US$ 10 milhões, disse Anna LaPorte, porta-voz da Extell.
Os preços de venda serão mais baixos do que os de muitos que já foram comprados no One57, onde uma cobertura vendida por US$ 100,5 milhões é o negócio residencial mais caro já concretizado em Manhattan. Assim como os moradores dos andares mais altos, os compradores das novas unidades terão acesso a serviços de hotelaria do Park Hyatt New York, localizado no edifício. Entre as instalações recreativas do One57 estão uma sala de projeção e um espaço para performance, estacionamento próprio, uma piscina coberta e uma biblioteca.
“Trata-se de uma grande oportunidade para os compradores terem acesso à qualidade, ao estilo de vida e às instalações do One57 nessa faixa de preço”, disse Barnett no comunicado.
Oshrat Carmiel, da Bloomberg

Imóveis sofrem queda real de 8,21% nos últimos 12 meses



São Paulo – O preço médio dos imóveis subiu apenas 0,11% nos últimos 12 meses encerrados em maio, segundo o Índice FipeZap, que acompanha a variação nos valores de casas e apartamentos anunciados para venda em 20 cidades brasileiras. Essa é a menor alta em 12 meses já registrada pelo índice, que iniciou sua versão ampliada (com 20 cidades) em janeiro de 2013.
No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA deve ficar em 9,06%, segundo a previsão do Boletim Focus do Banco Central. Isso significa que ao considerar o efeito da alta dos preços, o índice apresenta queda real de 8,21% em 12 meses.
A queda real é registrada quando o valor de um determinado bem tem uma alta inferior ao aumento generalizado de preços, medido por índices inflacionários, como o IPCA. Vale destacar que a variação real não é obtida com uma simples subtração. Para realizar o cálculo, é preciso dividir a oscilação dos preços pela variação da inflação.
Nenhuma das 20 cidades que compõem o índice registrou variação superior à inflação nos últimos 12 meses e em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife, Niterói e Distrito Federal houve queda nominal de preços (variação negativa) no período.
Variação em 2016 e em maio
No acumulado de 2016, o índice ficou praticamente estável, apresentando leve alta de 0,04%. No mês de maio, os preços também ficaram quase estagnados, registrando alta de apenas 0,07%.
Cinco cidades, dentre as 20 acompanhadas, apresentaram variação negativa no mês e apenas quatro cidades apresentaram altas acima da inflação: Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Vitória.
O valor médio do metro quadrado anunciado das 20 cidades foi de 7.639 reais em maio. Mesmo com uma queda de 0,56% dos preços em maio, o Rio de Janeiro continua sendo a cidade com o metro quadrado mais caro do país (10.282 reais), seguida por São Paulo (8.633 reais). Já as cidades brasileiras com menor valor médio do metro quadrado foram: Contagem (3.552 reais) e Goiânia (4.245 reais).
Veja na tabela a seguir a variação dos preços dos imóveis à venda nas 20 cidades acompanhadas pelo índice FipeZap em maio, abril e nos últimos 12 meses. A lista foi ordenada da maior para a menor variação em maio.
RegiãoVariação em maioVariação em abrilVariação em 2016Variação nos últimos 12 meses
Vitória1,32%0,80%2,13%6,64%
Curitiba0,82%0,84%1,93%2,40%
Porto Alegre0,66%0,52%1,28%2,59%
Salvador0,61%0,47%0,08%0,93%
IPCA (IBGE)*0,54%0,61%3,80%9,06%
Campinas0,27%0,18%0,67%2,22%
Belo Horizonte0,26%0,22%1,03%-0,25%
Contagem0,24%0,04%0,33%0,46%
Santo André0,23%0,12%1,98%4,54%
Santos0,23%-0,15%-0,90%1,11%
Distrito Federal0,14%0,19%-0,12%-0,36%
São Paulo0,12%0,06%0,32%0,72%
Índice FipeZap Ampliado (Venda, 20 cidades)0,07%0,07%0,04%0,11%
São Bernardo do Campo0,05%-0,03%0,31%1,38%
São Caetano do Sul0,04%0,07%0,86%3,35%
Vila Velha0,03%0,08%1,22%3,15%
Niteroi0,02%-0,17%-1,60%-2,63%
Florianópolis-0,03%0,16%2,70%6,63%
Fortaleza-0,07%-0,14%-0,87%1,77%
Recife-0,08%-0,06%-1,11%-1,39%
Goiânia-0,38%-0,16%0,84%2,20%
Rio de Janeiro-0,56%-0,30%-1,42%-3,31%
Veja na tabela abaixo o preço médio do metro quadrado anunciado em cada cidade em maio:
RegiãoPreço médio do metro quadrado em maio
Rio de JaneiroR$ 10.282
São PauloR$ 8.633
Distrito FederalR$ 8.586
Média (20 cidades)R$ 7.639
NiteroiR$ 7.447
FlorianópolisR$ 6.468
RecifeR$ 6.018
Belo HorizonteR$ 5.898
São Caetano do SulR$ 5.897
FortalezaR$ 5.864
VitóriaR$ 5.631
Porto AlegreR$ 5.596
CampinasR$ 5.420
CuritibaR$ 5.417
Santo AndréR$ 5.238
SantosR$ 5.063
São Bernardo do CampoR$ 4.894
SalvadorR$ 4.725
Vila VelhaR$ 4.498
GoiâniaR$ 4.245
ContagemR$ 3.552
O Índice FipeZap tem dados disponíveis sobre São Paulo e Rio de Janeiro desde janeiro de 2008. Para Belo Horizonte, a série histórica começa em maio de 2009. Para Fortaleza, em abril de 2010; para Recife em julho de 2010; e para o Distrito Federal e Salvador, em setembro de 2010.
Entre as cidades incluídas mais recentemente na composição do Índice FipeZap Ampliado, os municípios do ABC Paulista e Niterói têm dados disponíveis desde janeiro de 2012. Vitória, Vila Velha, Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba têm séries históricas iniciadas em julho de 2012. O índice FipeZap Ampliado foi lançado em janeiro de 2013.
O indicador elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o site de classificados Zap Imóveis, acompanha os preços do metro quadrado dos imóveis usados anunciados na internet, que totalizam mais de 290 mil unidades por mês.
Além disso, são buscados também dados em outras fontes de anúncios online. A Fipe faz a ponderação dos dados utilizando a renda dos domicílios, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Temperatura do mercado imobiliário brasileiro em 2016



Casa própria: Com mercado em crise, comprador pode encontrar boas oportunidades
São Paulo – Para mostrar qual será a temperatura do mercado imobiliário brasileiro em 2016, LG negócios imobiliários conversou com alguns especialistas, que responderam, entre outras questões, se o ano será bom para o comprador ou para o vendedor; se os preços dos imóveis estarão com descontos; e se os juros dos financiamentos estarão altos.
Confira os resultados a seguir e fique por dentro das principais tendências do mercado  para o ano que se inicia.
Atividade em baixa
Com os fortes indícios de que a crise econômica deve se manter em 2016, o mercado imobiliário deve ter outro ano de baixa atividade.
Apenas para citar alguns dados de 2015, de janeiro a setembro deste ano os lançamentos de imóveis no Brasil sofreram queda de 24% e o número de vendas caiu 7% em relação ao mesmo período de 2014, segundo pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, consolidada pelo Secovi-SP.
A cidade de São Paulo deve registrar uma queda de 38% nos lançamentos de imóveis, passando de um saldo de 33.955 unidades lançadas em 2014, para 21 mil em 2015, segundo dados do Secovi-SP. As vendas também devem sofrer redução de 20%, passando de 21.756 unidades comercializadas em 2014, para 17.300 em 2015.
Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, acredita que a situação continuará ruim, mas tem chances de ser menos dramática do que neste ano. “O mercado imobiliário está vivendo uma hemorragia aguda e o quadro é tão grave que, apenas se parar de sangrar, já melhora muito”, afirma.
Em sua visão, no entanto, para que essa “hemorragia” seja ao menos estancada, uma solução para o impasse político precisaria começar a ser desenhada no começo do ano. “Enquanto não tivermos um norte, a situação continuará como está”, diz Bernardes.
João da Rocha Lima, professor titular de real estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), diz que não é possível saber, ao menos por ora, quando a crise política se encerrará, mas se isso ocorrer no começo do ano, o mercado imobiliário deve se recuperar a partir do segundo semestre de 2016.
“A recuperação será tão mais curta quanto mais rápido os agentes econômicos recuperarem sua confiança. Se o impasse político se resolver logo, o mercado volta, ainda que lentamente, no ano que vem. Caso contrário, a demanda reprimida continua e 2016 será um desastre”, diz Rocha Lima.
Ele acrescenta que o mercado imobiliário depende de dois fatores principais para crescer. O primeiro é a confiança do comprador sobre o futuro da economia, fator crucial para que ele se sinta confortável para destinar sua poupança ao imóvel. “A família precisa acreditar que esse valor não será necessário, já que a recomposição da poupança demora muito, de oito a dez anos”, diz.
O segundo fator é a confiança de que a renda não vai cair, já que para comprometer entre 25% e 30% do orçamento com o financiamento, por um prazo de 30 anos, o comprador precisa ter confiança de que seu emprego se manterá intacto. “Se esses fatores não tiverem presentes, a demanda não se anula, mas se reprime”, diz.
Preços mais baixos
Com a resolução do impasse político ou não, fato é que ao menos no início de 2016, os preços dos imóveis devem se manter em baixa. “A incerteza sobre os rumos do país se reflete em preços baixos. Não é algo homogêneo, mas os compradores conseguem achar preços convidativos em diversas regiões”, afirma o presidente do Secovi-SP.
De acordo com o Índice FipeZap, que acompanha o preço médio dos imóveis em 20 cidades brasileiras, o valor médio do metro quadrado nas regiões incluídas no índice subiu apenas 1,32% entre janeiro e novembro 2015. Considerado o efeito da inflação, isso significa que os preços tiveram queda real (variação inferior à inflação) de 7,44% no período.
Um boletim do FipeZap prevê, inclusive, que em 2016 os preços dos imóveis devem retornar ao valor que tinham em 2011.
João da Rocha Lima concorda que os preços devem se manter em baixa. “2016 é o ano de comprar e, a não ser que o país entre em uma depressão econômica brutal, em 2017 os preços tendem a ser maiores, pensando em um grau de recuperação qualquer”, diz.
Claudio Bernardes afirma que, segundo dados do Secovi, o preço médio dos imóveis ofertados em São Paulo caiu 10% de janeiro a novembro de 2015, o que significa que é possível encontrar unidades com descontos nessa faixa hoje na cidade.
No entanto, ele diz que esses descontos tendem a diminuir ao longo do ano, já que as empresas já estão buscando se ajustar à nova realidade, de menor demanda. 
Os descontos hoje são oferecidos porque os imóveis lançados em 2015 se depararam com uma demanda reprimida, diante da queda de confiança do comprador. Assim, para conseguir vender suas unidades em estoque em um momento de baixa procura, construtoras foram obrigadas a reduzir seus preços.
Em São Paulo, por exemplo, os estoques de imóveis, contabilizados a partir do número de imóveis em construção e prontos, devem encerrar dezembro com um número 5% superior ao registrado em 2014, segundo o Secovi-SP. Enquanto em 2014, a cidade possuía 27.555 unidades em estoque, neste ano o número deve subir para 28.500.
“A média histórica de estoque é de cerca de 17 mil unidades, estamos com muito mais unidades em estoques do que deveríamos ter, por isso as empresas estão agora lançando menos e oferecendo descontos”, diz Bernardes.
Ruim para quem vende
Os preços do mercado imobiliário são ditados pelos valores praticados pelas construtoras, segundo João da Rocha Lima. Assim, os preços de imóveis usados, vendidos por pessoas físicas, tendem a acompanhar os preços das unidades novas, vendidos pelas construtoras.
Por essa razão, os vendedores de imóveis usados também não devem conseguir preços bons nos seus imóveis. “Se a pessoa precisar vender, não tem jeito, mas se ela puder esperar o mercado se recuperar é melhor”, orienta o professor da Poli-USP.
Para Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito, 2016 ainda será um ano de acomodação “O mercado imobiliário tem uma característica muito particular: ele não deixa de existir e não fica totalmente paralisado. O que acontece em momentos como este é que o preço sofre uma acomodação, já que com mais dificuldades para vender, as construtoras oferecem descontos”, diz.
Ele acrescenta que o mercado vive um momento de histeria coletiva e tanto o comprador, quanto o vendedor, devem ficar atentos a isso.
“Enquanto vemos dados de entidades como Sinduscon, Secovi, Abecip, etc. de quedas nas vendas, muitas vezes a indústria imobiliária vai na contramão dos indicadores e vende a ilusão de que o mercado não está ruim. O setor tem que abandonar algumas práticas que talvez funcionassem no passado, mas que hoje já não funcionam, como vender otimismo onde não dá”, afirma Prata.
Matéria recentemente publicada por EXAME mostra que o setor de construção civil vive uma crise sem precedentes. Com algumas das maiores empresas do setor afetadas pela Operação Lava Jato, como Odebrecht, OAS, Galvão Engenharia e outras especialistas do setor acreditam que apenas em 2017 o mercado pode dar sinais de recuperação.
Crédito caro dificulta compra
Se por um lado os preços estão convidativos, por outro as condições de financiamento estão cada vez piores.
Ao longo do ano, a Caixa Econômica Federal, a maior concessora de crédito imobiliário do país, elevou suas taxas de juros repetidas vezes. A medida foi tomada diante das reduções de depósitos e aumentos de saques da poupança, principal fonte de recurso para os financiamentos de imóveis no país.
O Banco do Brasil e os principais bancos privados também elevaram suas taxas e, segundo o presidente do Canal do Crédito, ainda não existem sinais de que os juros podem ceder em 2016.
Ele acredita, porém, que o comprador que tiver estabilidade financeira e um valor razoável para oferecer como entrada deve, sim, aproveitar os descontos de imóveis agora, ainda que as taxas de juros estejam altas. “Neste ano, mais do que em qualquer outro, o comprador conseguirá negociar preços. Assim, os descontos podem compensar as taxas de juros mais altas", diz. 
Caso as taxas de juros diminuam futuramente, ele lembra que o tomador pode fazer a portabilidade de crédito para outros bancos e aproveitar as taxas menores. De acordo com a resolução 4.292 do Conselho Monetário Nacional (CMN), os bancos são obrigados reaalizar a transferência do financiamento para outras instituições, caso o cliente queira. 
De todo modo, é importante se certificar de que o desconto no valor do imóvel realmente compensa os juros mais altos ou se o preço está mais baixo apenas porque a construtora aumentou o preço de tabela, para divulgar "valores promocionais". Para isso, vale pesquisar os preços de imóveis semelhantes na mesma região.
Bom negócio para quem pode investir
Diante da expectativa de preços menores em 2016, o ano pode ser uma boa oportunidade para comprar imóveis com o objetivo de investir, segundo o professor de Real Estate da Poli-USP.
Ele afirma que o mercado imobiliário está se desestruturando neste momento já que as empresas estão buscando desovar seus estoques e reduzindo seus níveis de produção. Portanto, quando a economia se recuperar, a demanda que estava reprimida, mas não extinta, deve voltar e a oferta pode ser insuficiente. Assim, os preços podem ser pressionados.
“As empresas podem demorar a retomar sua capacidade de produção, o que pode gerar escassez de oferta. O investidor que enxergar isso e conseguir investir em um imóvel agora pode conseguir vendê-lo por um bom valor lá para o final de 2017, em um cenário pós-crise”, diz Rocha Lima.
Preços podem subir em São Paulo a partir de 2017
O comportamento do mercado imobiliário na cidade de São Paulo pode seguir tendências diferentes do resto do Brasil por causa de algumas leis e medidas de urbanismo recentemente aprovadas e outras que estão em discussão no momento.
Os principais destaques são o Plano Diretor Estratégico (PDE), que foi revisado em 2014 e define regras para o desenvolvimento urbano da cidade, e um novo projeto de lei que trata da revisão da lei de uso e ocupação do solo, cuja votação foi adiada para fevereiro de 2016.
A lei de zoneamento que vigora atualmente em São Paulo (lei nº 13.885) é referente a 2004, mas está passando por revisão na Câmara Municipal de São Paulo para se adequar ao novo Plano Diretor Estratégico (Lei 16.050/2014).
Conforme resume Rocha Lima, tanto o PDE, quanto a revisão da lei de ocupação, tornam mais restritivas as regras de construção de imóveis na cidade.
Entre os exemplos de restrição, estão: a limitação de 28 metros de altura (cerca de oito andares) para prédios construídos no miolo dos bairros; e a limitação de uma vaga de garagem por morador, sendo necessário o pagamento de outorga onerosa (contrapartida em que os empreendimentos pagam para construir) por vaga adicional.
“Com as restrições, os prédios terão menos andares e áreas menores. Como consequência, eles terão menos unidades, os custos serão repartidos por menos pessoas e o preço dos imóveis será mais alto”, afirma o professor do núcleo de real estate da Poli-USP.
Ele diz que esse encarecimento se dá principalmente em áreas centrais e já adensadas da cidade. Assim, as leis contribuem para que a população que trabalha em São Paulo busque moradias mais baratas em cidades da região metropolitana, como em Guarulhos e na região do ABCD.
“Essas leis expulsam a classe média da cidade e, como não temos um transporte qualificado, isso agrava o problema de mobilidade e cria uma insatisfação absoluta para essa parcela da população que passa a ficar duas horas e meia no trânsito para chegar ao trabalho", diz Rocha Lima.
Ele afirma ainda que as restrições devem levar as construtoras a priorizarem a construção de imóveis de luxo, já que são os únicos tipos de imóveis cujos valores de venda serão capazes de compensar os altos custos de construção.
“O Plano Diretor e a lei de ocupação encarecem os imóveis de maneira geral e deixam a dúvida: o mercado imobiliário em São Paulo vai parar? Alguns acreditam que sim. As novas regras valorizam os imóveis antigos, mas comprar imóvel usado e reformar não é uma prática boa para o mercado e não atende uma demanda de quase 30 mil imóveis por ano, como é o caso de São Paulo”, diz. 
Ainda que o cenário aponte para valorização dos preços, a maioria do empreendimentos em construção, que devem ser lançados para venda em 2016, foi aprovada quando o novo PDE ainda não estava em vigor.
Os empreendimento criados nos novos moldes do PDE devem ser lançados a partir de 2017. “Os preços podem ainda não ser pressionados em 2016 por conta disso, mas a partir de 2017 devem subir com força”, finaliza Rocha Lima.

 Priscila Yazbek