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domingo, 19 de setembro de 2021

Bolha imobiliária e endividamento: a nova ameaça que vem da China

 Bolha imobiliária e endividamento: a nova ameaça que vem da China


xangai


O gigante chinês do setor imobiliário Evergrande está mergulhado cada vez mais em uma crise de superendividamento. E se esse colosso colapsar, outras empresas podem ser varridas do mapa.

Na última quarta-feira, 8, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito da Evergrande e de duas de suas subsidiárias de CCC+ para CC. Isso por causa do risco de inadimplência iminente.

"O rebaixamento reflete nossa visão de que um problema de algum tipo parece provável", escreveram os especialistas da Fitch ao explicar a nova nota de crédito.

"Acreditamos que o risco de crédito é alto com liquidez restrita, queda nas vendas de contratos, pressões de atrasos nos pagamentos a fornecedores e empreiteiros e progresso limitado na venda de ativos."

A Evergrande é o segundo maior grupo de construções da China, mas também é a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo.

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Nos últimos dias, as agências de classificação de risco Moody's e até mesmo a chinesa China Chengxin International (CCXI) também haviam rebaixado suas notas de crédito -- e isso aconteceu repetidas vezes desde o começo do ano.

Essas revisões chegam uma semana após um alerta lançado pela própria Evergrande. A segunda maior incorporadora da China alertou sobre os riscos de liquidez e inadimplência caso não consiga retomar a atividade de construção, vender participações e renovar empréstimos.

Essa declaração aumentou a inquietação de investidores nos mercados financeiros chineses e internacionais.

preço das ações da Evergrande, listadas em Hong Kong, caiu para o menor valor de sua história, o de 2009, quando abriu seu capital. Desde o início do mês, o preço caiu 15%; e desde o começo do ano a queda foi de 76%.

"Esperamos que o caminho de desalavancagem da empresa seja acidentado, o que pode levar a grandes descontos nas vendas de propriedades e possível alienação de ativos", escreveram analistas do Goldman Sachs em um relatório recente.

O risco percebido pelos investidores é que uma eventual falência da Evergrande desencadeie um efeito cascata e isso leve juntos outros grupos imobiliários.

Não por acaso, os preços dos títulos de outras empresas imobiliárias chinesas também caíram significativamente.

Mas o medo é que essa crise possa se tornar um choque também para o sistema bancário chinês. Isso porque a Evergrande tem US$ 104 bilhões de dívida em títulos posicionados no mercado. Cerca de um terço dos US$ 302 bilhões da dívida total.

Bolsa de Valores de Hong Kong chegou a suspender a negociação de alguns papéis do setor imobiliário por causa da turbulência nos preços.

Embora não haja vencimentos de dívida previstos para este ano, a Fitch estima que a Evergrande terá que pagar juros sobre títulos de US$ 129 milhões em setembro e US$ 850 milhões antes do final do ano.

E em 2022 vão vencer títulos da dívida por US$ 7,4 bilhões.

Em junho, a Evergrande já não tinha honrado o pagamento dos juros, o que acelerou a queda dos preços dos títulos nas Bolsa de Valores.

É possível que a empresa decida suspender o pagamento de juros sobre empréstimos de dois bancos que vencem em alguns dias. A empresa também está lutando para evitar os pagamentos aos fornecedores.

As autoridades governamentais chinesas até agora não se manifestaram. Todavia existe há alguns anos uma preocupação forte em Pequim sobre os riscos do estouro de uma bolha imobiliária no país.

Não por acaso, o megainvestidor americano George Soros classificou há poucos os investimentos da BlackRock no setor imobiliário na China como um “erro trágico” que “vai custar dinheiro” para a maior gestora do mundo.


Por Carlo Cauti*

terça-feira, 3 de abril de 2018

Crise brasileira x bolha imobiliária americana: entenda as diferenças

Crise brasileira x bolha imobiliária americana: entenda as diferenças

Ambas resultaram em queda na venda de imóveis, mas foram provocadas por situações diferentes; desvalorização nos preços foi maior nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a chamada crise das hipotecas subprime (entre 2007 e 2009), que aconteceu após uma bolha que valorizou de forma desproporcional os imóveis, fez o preço das residências recuar. Já a crise econômica brasileira, que começou em 2015, resultou em estagnação do mercado de imóveis. Porém, não houve diminuição acentuada nos preços.

“Durante o processo de crise nos Estados Unidos a desvalorização dos imóveis chegou a 35%. Variação de preço bem maior se comparada ao ramo imobiliário brasileiro, que teve uma oscilação negativa de 1%. O mercado andou de lado no Brasil. O que houve aqui foi uma paralisada nos estoques, a indústria teve a estratégia de não lançar unidades”, diz o economista Eduardo Reis Araújo.

“Durante o processo de crise nos Estados Unidos a desvalorização dos imóveis chegou a 35%. Variação de preço bem maior se comparada ao ramo imobiliário brasileiro, que teve uma oscilação negativa de 1%. O mercado andou de lado no Brasil. O que houve aqui foi uma paralisada nos estoques, a indústria teve a estratégia de não lançar unidades”, diz o economista Eduardo Reis Araújo.

Ele lembra que o mecanismo de financiamento residencial no País é diferente do americano, cuja crise se deu justamente pelo modo hipoteca de risco, que é dar o imóvel em garantia do empréstimo. “Aqui o Sistema Financeiro Habitacional (SFH) não usa operação de derivativos (com mais instabilidade e riscos), é um mercado mais simples”.
Segundo o economista Luciano Nakabashi, da Universidade de São Paulo (USP), no Brasil os problemas da economia afetaram o setor imobiliário, sendo que o oposto ocorreu nos EUA – o problema começou no ramo de imóveis.
“Nos Estados Unidos, ocorreu uma bolha imobiliária pela reduzida taxa de juros e pela facilidade do acesso ao crédito com pouco controle. No Brasil, a crise imobiliária foi decorrente dos problemas derivados de um excesso de estímulos à demanda agregada (bens e serviços) e dos gastos públicos, de um governo que interferiu demasiadamente da economia”.
O economista Telêmaco Genovesi, explica que quando a crise começou nos EUA, as pessoas simplesmente pararam de pagar os empréstimos e entregaram as casas hipotecadas.
“Isso virou uma bola de neve, porque os bancos ficaram com esse estoque de residências e tinham que se desfazer, vendendo barato. Já no mercado brasileiro, os preços estavam muito elevados (antes da crise) e simplesmente houve um ajuste (agora)”

Veja os detalhes das crises:

Motivo

Brasil: a crise imobiliária foi decorrente dos problemas enfrentados pela economia brasileira, cuja causa também teve origem política.
Estados Unidos: os problemas no setor imobiliário é que levaram caos para a economia como um todo. A crise das hipotecas subprime iniciou a situação: eram empréstimos com elevados riscos, tendo o imóvel como garantia. Porém, muitos americanos começaram a não quitar as parcelas e a situação ficou complicada.

Período

Brasil: começou a afetar o setor imobiliário em 2015 e ainda permanece, embora já ocorra projeções de recuperação.
Estados Unidos: o início foi em agosto de 2007 e um ano depois chegou no auge. O início da retomada foi em fevereiro de 2009 e hoje o mercado já não enfrenta mais a situação.

Efeitos

Brasil: mais de 14 milhões de desempregados e milhares de empresas falidas. Os juros dispararam e a taxa Selic chegou a 14,25% em 2015, a maior desde 2006. A inflação foi a 10,67% em 2015, maior taxa desde 2002.
Estados Unidos: estima-se que 10 milhões de pessoas entregaram suas casas porque deixaram de pagar hipotecas. A bolsa de valores despencou e afetou em cheio a economia do País. Quase 9 milhões de pessoas perderam o emprego e o PIB dos Estados Unidos recuou 3,1%.

Antes da crise

Brasil: Houve uma grande alta no preço dos imóveis, chamada de boom imobiliário. Entre 2009 e 2013, a valorização chegou a 121%.
Estados Unidos: ocorreu a bolha imobiliária, um aumento irreal dos preços dos imóveis. A bolha foi resultado da especulação no mercado hipotecário. Os bancos queriam emprestar dinheiro, mas como as pessoas estavam em boa situação econômica no País, não havia essa demanda. Então eles passaram a supervalorizar os imóveis e oferecer altos empréstimos com a residência como garantia.