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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Brasileiros invadem Miami em busca de imóveis com alta do real

Miami
Desde janeiro, os brasileiros compraram metade dos apartamentos vendidos a estrangeiros por mais de US$ 500.000 na área central de Miami
John Gittelsohn e José Sergio Osse, daBloomberg
Nova York/São Paulo - Frederico Azevedo chegou à Flórida em busca de uma segunda moradia. Ele saiu com três, gastando US$ 300.000 e US$ 500.000 em apartamentos em duas torres em Miami, e US$ 1 milhão por uma unidade no resort Trump International, perto de Sunny Isles.
“Comprei um para usar como casa de férias e os outros dois como investimentos”, disse Azevedo, de 39 anos, presidente da Construtora Altana Ltda, uma incorporadora imobiliária, em entrevista por telefone de seu escritório em São Paulo. “Miami é na verdade muito barato em comparação com os preços aqui.”
A disparada nos preços do mercado imobiliário no Brasil e o ganho acumulado de 45 por cento do real em relação ao dólar desde 2008 estão levando brasileiros a procurarem barganhas no sul da Flórida, em imóveis para férias e investimentos imobiliários. Esse movimento estimula a expansão do mercado de apartamentos de Miami, com aumento de 92 por cento nas vendas dos primeiros quatro meses deste ano, na comparação com o mesmo período de 2010, segundo dados da Associação de Corretores da Flórida.

Na região de Miami, os brasileiros compraram 9 por cento das casas e apartamentos vendidos a estrangeiros nos 12 meses até março de 2010, perdendo apenas para canadenses e venezuelanos, segundo a Associação de Corretores de Miami. Desde então, “sinais preliminares apontam para um aumento significativo”, disse Lynda Fernandez, porta-voz da associação.
Desde janeiro, os brasileiros compraram metade dos apartamentos vendidos a estrangeiros por mais de US$ 500.000 na área central de Miami, e por mais de US$ 1 milhão em Miami Beach, disse Craig Studnicky, presidente da International Sales Group LLC, empresa de marketing imobiliário sediada em Aventura, na Flórida.
‘Força predominante’
“O ritmo crescimento é geométrico,” disse ele sobre a demanda brasileira. “No próximo ano, com certeza será a força predominante.”
A alta do real sobre o dólar desde o começo de 2009 é a maior entre as 25 moedas de países emergentes acompanhadas pela Bloomberg. A economia do País, a maior da América Latina, cresceu 4,2 por cento no primeiro trimestre deste ano. Em comparação, nos Estados Unidos a expansão foi de 2,3 por cento no mesmo período.
O maior crescimento em duas décadas e a aceleração da inflação levaram São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília a serem mais caras do que qualquer cidade dos EUA, segundo uma pesquisa da ECA International, empresa de recursos humanos sediada em Londres. Estima-se que os preços de moradias no País subiram 25 por cento nos 12 meses encerrados em maio, sendo que no Rio de Janeiro a alta foi de 44 por cento, disseram os analistas do JPMorgan Chase & Co., Adrian E. Huerta, de Nova York, Marcelo Motta e Marina Mansur, de São Paulo, em relatório de 15 de junho.
“A elevação dos preços vai se sustentar?”, escreveram os analistas. “Bom, nós ainda não vemos nenhuma desaceleração no aumento dos preços de moradias.”
EUA em baixa
Nos EUA, os preços de moradias caíram para os níveis de 2003, depois que a onda de execuções de hipotecas reduziu o valor de mercado dos imóveis e o desemprego passou a oscilar ao redor de 9 por cento. Imóveis na região de Miami estão 51 por cento mais baratos do que a máxima de dezembro de 2006, segundo o índice S&P/Case-Shiller. Só Las Vegas e Phoenix tiveram quedas maiores de preços.
No bairro do Leblon, no Rio, o preço médio dos apartamentos é de US$ 11.388 o metro quadrado, segundo o Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro. Em South Beach, o preço médio do foi de US$ 3.810 o metro quadrado no primeiro trimestre deste ano, de acordo com a Condo Vultures LLC, corretora e consultora imobiliária sediada em Bal Harbour, na Flórida.
“Cinco anos atrás, era o oposto”, disse Studnicky em entrevista por telefone. “Em Miami o preço variava entre US$ 5.000 e US$ 10.000 o metro quadrado. No Rio, entre US$ 3.000 e US$ 5.000. A situação se inverteu completamente.”
Novos empreendimentos
Os corretores de Miami estão aprendendo o “portunhol”, que os brasileiros conseguem entender, disse Peter Zalewski, diretor da Condo Vultures. Ele perdeu três de seus funcionários que falavam português para concorrentes. “Outras corretoras os roubaram por que queriam entrar no mercado”, disse Zalewski.
Incorporadoras construíram prédios e converteram outros em edifícios residenciais, oferecendo 49.000 apartamentos na área leste da área metropolitana de Miami entre 2003 e 2008, na bolha imobiliária que estourou quando o crédito desapareceu.
O número de unidades à venda caiu para 27.700 em 13 de junho, contra 60.900 em novembro de 2008, segundo a Condo Vultures.
Agora, eles se preparam para construir novamente de olho nos compradores da América Latina. Em 9 de junho, a Condo anunciou parceria para vender novos apartamentos da Related Group of Florida, maior construtora de condomínios do estado com sede em Miami.
Seis projetos
A Related, fundada por Jorge M. Perez, que teve perdas contábeis de US$ 1 bilhão em 2008, planeja usar pagamentos de entrada dos compradores latino-americanos, que costumam dar um sinal de 50 por cento na compra e financiar o restante, como recursos para construir seis projetos com 1.500 unidades, disse Studnicky. A construção, com custo previsto entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões, começará até 2013, disse ele.
Mesmo que leve alguns anos para que bancos americanos voltem a financiar o setor de construção em Miami, os compradores brasileiros aproveitam as oportunidades atuais, disse Paulo Tavares de Melo, diretor imobiliário da Integra Solutions LLC, fundo para brasileiros de alta renda que investem em propriedades na Flórida. A Integra pagou US$ 12 milhões em abril na incorporação de um terreno de 1,2 hectare na área central de Miami, com autorização para até 920 apartamentos e 9.300 metros quadrados de espaço comercial.
‘Muito Dinheiro’
“O fato é que há muito dinheiro no Brasil”, disse Melo, cuja família enriqueceu com negócios do setor de de cana-de- açúcar e etanol, em entrevista por telefone de Miami, onde ele mora desde 2001. “Há mais interesse em Miami do que em Nova York por causa dos preços, e pela percepção de que os preços já caíram bastante.”
A Coelho da Fonseca Empreendimentos Imobiliários Ltda., corretora sediada em São Paulo, criou uma divisão internacional em maio, para ajudar brasileiros a comprarem propriedades nos EUA, principalmente em Miami.
“A oportunidade que chama os brasileiros é a chance de comprar um apartamento em um dia e alugar no outro”, disse Gabriela Duva, diretora da nova divisão da Coelho da Fonseca, em entrevista por telefone de Nova York. “Mesmo os que compram para férias, também acabam alugando quando não estão usando.”
O entusiasmo dos brasileiros pode ter fim se a moeda ou o valor das propriedades seguirem em direções opostas, disse José Augusto Pereira Nunes, dono na Algebra Realty, com sede em Miami.
Maré e ventos
“Hoje a maré e os ventos estão a favor dos brasileiros, a maré sendo o câmbio e os ventos os preços em Miami”, disse Nunes, que mudou para Flórida há 25 anos, em entrevista por telefone. “Se faltar um desses, a demanda cai.”
No Brasil, o governo vem adotando medidas desde o fim do ano passado para conter a valorização do real.
Robert Shiller, professor d economia da Yale University e co-criador dos índices S&P/Case-Shiller, disse que os preços dos imóveis nos EUA podem cair ainda mais. Isso indica que este pode não ser o melhor momento para comprar.
“Uma queda adicional de 10 a 25 por cento nos preços de moradias nos próximos, talvez, cinco anos não me surpreenderia de jeito nenhum”, disse Shiller em uma conferência em Nova York em 9 de junho.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Imóveis no Brasil perdem 5% do valor em 2015

Andrzej Wójcicki/Thinkstock
Preços de imóveis em queda
Preço de imóvel em queda: preços de casas e apartamentos subiram 1,51% nos primeiros sete meses do ano, bem abaixo da inflação de 6,79%

São Paulo - O preço médio do metro quadrado dos imóveis no Brasil registrou queda real de 5,28% nos sete primeiros meses do ano, segundo o Índice FipeZap.
Um determinado bem apresenta queda real quando sua valorização é inferior à alta generalizada de preços, medida por índices de inflação, como o IPCA.
De janeiro a julho, os preços dos imóveis tiveram alta de 1,51%, variação inferior à inflação estimada pelo IBGE para o período, de 6,79%.

O índice mostra também que nos últimos 12 meses encerrados em julho preços subiram 4,03%, bem abaixo do IPCA esperado para o período, de 9,52%. É o sétimo mês consecutivo no qual há queda real de preços no acumulado de 12 meses. 
Pela nona vez seguida, a valorização dos imóveis também ficou abaixo da inflação registrada no mês. Enquanto o metro quadrado médio das 20 cidades incluídas no índice subiu 0,13% em julho, a expectativa é de alta de 0,58% dpara o IPCA no período.
No acumulado do ano, 17 cidades registram alta de preços menores do que a inflação. Apenas em Florianópolis os custos dos imóveis subiram acima da inflação. Já Niterói, Brasília e Curitiba tiveram queda nominal dos preços nos primeiros sete meses do ano.
O valor médio do metro quadrado dos imóveis anunciados nas 20 cidades em julho foi de 7.614 reais. Apesar de ter registrado queda nominal de preços em julho, o Rio de Janeiro continua a liderar o ranking do metro quadrado mais caro entre as 20 cidades pesquisadas pelo FipeZap, seguida por São Paulo. 
Veja, na tabela a seguir, a variação dos preços dos imóveis à venda nas 20 cidadesacompanhadas pelo FipeZap. A lista foi ordenada da maior para a menor variação de preços em julho.
RegiãoVariação mensal julho/15Variação mensal junho/15Variação em 2015Variação nos últimos 12 meses
Florianópolis2,42%2,17%6,66%7,81%
Vitória0,79%0,13%3,40%9,40%
Santo André0,52%0,35%2,35%7,44%
Contagem0,50%1,11%3,84%6,55%
Goiânia0,49%0,02%1,43%7,75%
Santos0,46%0,27%2,39%6,58%
Porto Alegre0,39%0,49%2,10%6,65%
Salvador0,36%0,24%1,78%4,86%
São Caetano do Sul0,29%0,17%1,26%4,17%
Brasília0,22%0,29%-0,95%-0,69%
Campinas0,22%0,29%2,218,08%
Fortaleza0,17%0,25%3,50%5,62%
Índice FipeZap Ampliado (20 cidades)0,13%0,13%1,38%4,52%
São Paulo0,10%0,09%2,20%5,06%
São Bernardo do Campo0,08%0,12%2,13%7,44%
Recife0,09%-0,04%0,30%3,29%
Rio de Janeiro-0,11%0,01%0,58%2,90%
Niterói-0,12%-0,33%-2,32%2,03%
Belo Horizonte-0,14%0,03%1,31%7,25%
Curitiba-0,14%-0,03%-0,65%2,50%
Vila Velha-0,50%-0,77%1,73%6,66%
E agora veja o preço médio do metro quadrado anunciado em cada cidade em julho:
RegiãoPreço médio do metro quadrado (R$)
Rio de Janeiro10.631
São Paulo8.602
Brasília7.987
Niterói7.674
Média Nacional7.614
Florianópolis6.327
Recife6.023
Belo Horizonte5.906
São Caetano do Sul5.717
Fortaleza5.691
Porto Alegre5.426
Campinas5.270
Vitória5.270
Curitiba5.154
Santo André5.026
Santos4.923
São Bernardo do Campo4.713
Salvador4.655
Vila Velha4.233
Goiânia4.183
Contagem3.568
O Índice FipeZap tem dados disponíveis sobre São Paulo e Rio de Janeiro desde janeiro de 2008. Para Belo Horizonte, a série começa em maio de 2009. Para Fortaleza, em abril de 2010; para Recife em julho de 2010; e para Brasília e Salvador, em setembro de 2010.
Os municípios do ABC Paulista e Niterói têm dados disponíveis desde janeiro de 2012. As séries de preços de Vitória, Vila Velha, Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba foram iniciadas em julho de 2012.
O indicador elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o site de classificados Zap Imóveis, acompanha os preços do metro quadrado dos imóveis usados anunciados na internet.
Além disso, a Fipe também busca dados em outras fontes de anúncios online ao realizar a ponderação dos dados utilizando a renda dos domicílios, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Preço médio dos imóveis cai pela primeira vez desde 2008




São Paulo - O preço médio do metro quadrado dos imóveis anunciados para venda registrou baixa de 0,01% entre julho e agosto deste ano, segundo o Índice FipeZap, que acompanha a variação de preços do mercado imobiliário de 20 cidades brasileiras. Essa é a primeira queda nominal registrada pelo índice desde sua criação, em janeiro de 2008.

O índice mostra o comportamento dos preços dos imóveis anunciados para venda na internet, mais especificamente no site Zap Imóveis. Por isso, ele serve apenas como um indicador e pode não refletir exatamente as variações nos preços das regiões analisadas.

Nos sete primeiros do ano, o índice registra alta de 1,50%. Como a inflação esperada pelo IBGE para o IPCA no mesmo período é de 7,1%, é possível dizer que o metro quadrado dos imóveis apresenta uma queda real de 5,2% entre janeiro e agosto.
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A queda real é registrada quando o preço de um determinado bem, como é o caso dos imóveis, registra variação inferior à alta generalizada de preços, medida por índices inflacionários, como o IPCA.

Nos últimos 12 meses encerrados em agosto, a variação nos preços foi de 3,32%, o que representa uma queda real de 5,69% no período, já que a inflação esperada para o mesmo intervalo é de 9,56%, segundo estimativas do IBGE. Essa foi a oitava vez seguida que o indicador apresentou queda real nessa base de comparação.

Nesta semana foi divulgado também o Boletim FipeZap, relatório trimestral também elaborado pela Fipe e pelo Zap Imóveis, que faz uma análise mais aprofundada sobre o cenário do mercado imobiliário. De acordo com o boletim, as projeções indicam que em junho de 2016 os preços dos imóveis devem retornar ao patamar de 2011 (confira os dados do relatório).

Em baixa

Além do resultado geral, entre agosto e julho, seis das 20 cidades acompanhadas pelo índice apresentaram queda nominal individualmente: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Niterói e Goiânia.

Nenhuma das cidades registrou variação superior à inflação no acumulado de 2015, ou seja, todas registraram queda real no período.

O valor médio do metro quadrado anunciado nas 20 cidades em agosto de 2015 foi de 7.613 reais. A cidade mais cara continua sendo o Rio de Janeiro, cujo metro quadrado médio ficou em 10.593 reais, seguida por São Paulo, onde o preço médio registrado foi de 8.607 reais.

Os dois municípios que apresentaram os menores preços foram Contagem, com média de 3.575 reais e Goiânia, com preço médio de 4.179 reais.

Priscila Yazbek

Priscila Yazbek é a editora-assistente responsável pelo canal Seu Dinheiro de EXAME.com. Seu e-mail é priscila.yazbek@abril.com.br


Colapso se aproxima e imobiliárias buscam aliviar dívidas

John Macdougall/AFP
Construção civil: o setor imobiliário, que responde por cerca de 10% da economia do Brasil, está surgindo como uma das mais recentes vítimas de uma recessão

Há pouco tempo, o mercado imobiliário do Brasil era um dos maiores símbolos do crescente poder econômico do país.

Agora, o setor se tornou vítima de uma recessão cada vez mais profunda.

A PDG Realty SA, que chegou a ser a maior construtora residencial em termos de receita, contratou o Rothschild na semana passada para ajudar a reestruturar R$ 5,8 bilhões (US$ 1,6 bilhão) em dívidas depois que suas vendas líquidas do segundo trimestre afundaram 88 por cento.

No início deste mês, a Rossi Residencial SA, que tem R$ 2,5 bilhões em dívidas, também recorreu a assessores para “reestruturar operações e rever estratégias”. Desde 2010, a construtora perdeu 99 por cento de seu valor no mercado de ações.

O setor imobiliário, que responde por cerca de 10 por cento da economia do Brasil, está surgindo como uma das mais recentes vítimas de uma recessão que os analistas projetam que será a mais longa desde os anos 1930.

Para piorar as coisas, as taxas de juros são as mais altas em quase uma década, enquanto a inflação está subindo.

“Não existe empresa imobiliária que sobreviva sem vendas”, disse Bruno Mendonça Lima de Carvalho, chefe de renda fixa da Guide Investimentos SA, de São Paulo. “Não é possível importar ou exportar apartamentos. O setor depende unicamente da atividade doméstica”.

A assessoria de imprensa da PDG não respondeu aos e-mails e a um telefonema em busca de comentário sobre a reestruturação da dívida.

A construtora tentou ampliar as receitas reduzindo os preços, financiando até 20 por cento de algumas compras de imóveis e até mesmo oferecendo a recompra de apartamentos em caso de os bancos negarem o financiamento.

Ainda assim, a empresa vendeu apenas 217 unidades no segundo trimestre em uma base líquida, contra 1.749 em 2014.

Perspectiva negativa

Na sexta-feira, a Moody’s Investors Service reduziu a classificação da PDG em três níveis, para Caa3, citando a possibilidade de prejuízos significativos para os detentores de bonds e outros credores.


Os credores com garantia poderão recuperar menos de 80 por cento em caso de calote, segundo a Moody’s, que manteve uma perspectiva negativa para a classificação.

“A empresa está enfrentando pressões adicionais de liquidez devido a uma prolongada deterioração nas dinâmicas do setor, incluindo a lentidão nas vendas, a restrita disponibilidade de financiamento e a queda dos preços imobiliários”, disse a Moody’s.

A Rossi, que tem sede em São Paulo, disse em resposta por e-mail que as vendas do segundo trimestre melhoraram e que o foco principal da empresa é reduzir dívidas.

A dívida bruta caiu cerca de 30 por cento no período de 12 meses terminado em junho, disse a Rossi.

As vendas de imóveis na maior economia da América Latina caíram 14 por cento no primeiro semestre de 2015, segundo dados do instituto nacional imobiliário. As construtoras reduziram os novos projetos em 20 por cento no período e o financiamento disponível encolheu em cerca de um quarto.

Colapso do real

Trata-se de uma reversão em relação a apenas dois anos atrás, quando os preços dos imóveis em lugares como Rio de Janeiro e São Paulo haviam subido até 230 por cento porque os aumentos salariais, a valorização do real e os custos dos empréstimos em uma baixa recorde iniciaram uma onda de compras de residências.

Os brasileiros se encontram em circunstâncias drasticamente diferentes hoje.

A moeda perdeu 27 por cento de seu valor apenas em 2015, enquanto a taxa de desemprego atingiu o nível mais alto em cinco anos, de 7,5 por cento em julho.

O Banco Central elevou sua taxa básica para 14,25 por cento em julho, tornando ainda mais caro o financiamento para compra de uma residência.

“É uma questão de demanda e a demanda está realmente fraca”, disse Will Landers, que gerencia ações latino-americanas na BlackRock, de Princeton, Nova Jersey, EUA.

“Nós podemos ter atingido um pico nas taxas de juros, mas elas deverão seguir nesses níveis por um tempo. Os consumidores continuarão observando de fora porque os níveis de dívida ainda estão altos e o emprego irá piorar”.

Julia Leite e Paula Sambo, da Bloomberg

sexta-feira, 24 de julho de 2015

CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA

CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA


No fechamento de qualquer negócio imobiliário é comum que as partes assinem um contrato de promessa de compra e venda, porque a venda definitiva somente ocorre quando da lavratura da escritura pública.

Assim, o comprador deve ter o maior cuidado ao elaborar ou aceitar os termos de um contrato de promessa de compra e venda.

É sempre aconselhável que a parte legal do negócio seja acompanhada por um profissional do direito de inteira confiança do comprador ou de órgãos ligados à defesa do consumidor. É que os contratos na sua maioria são complexos e podem conter cláusulas danosas ao comprador.

É importante que conste do contrato todas as responsabilidades e compromissos futuros de lado a lado, isto é: tanto os compromissos do comprador quanto os compromissos do vendedor, nada deve ficar somente na palavra.

Outro cuidado é não permitir que conste do contrato ou da escritura somente uma parte do valor efetivamente pago ou negociado. Na hipótese de haver qualquer problema futuro a responsabilidade de devolução dos valores pagos pelo vendedor ao comprador estará restrita ao limite que constar do contrato.

As despesas de legalização dos documentos de propriedade, como escritura, registro e impostos, serão de responsabilidade do comprador, salvo negociação em contrário.

São dados que deverão constar do contrato:

Os nomes, a nacionalidade, o estado civil, a profissão, a identificação (n. identidade e CPF ou CGC) e o endereço ou sede dos vendedores e compradores, sempre lembrando que, quando casado, a mulher do vendedor também deverá assinar o contrato e a escritura;

Os dados primários e a localização do imóvel, o número e data do registro, a descrição sumária, as confrontações, as dimensões e características especiais do imóvel;

O preço total, o valor do sinal ou entrada, as condições de pagamento do saldo, se houver, a forma e local do pagamento.

Na hipótese de serem cobrados juros e correção monetária pelo saldo devedor também devem constar as taxas de juros e índice indexador que serão aplicadas sobre o saldo devedor e sobre as prestações vencidas e não pagas.

Devem constar do documento, para segurança do vendedor e do comprador, todas as eventuais restrições urbanísticas da legislação local ou da convenção de condomínio, se houver.

O contrato deve ainda estabelecer a forma de acertar as eventuais diferenças de metragens que possam ser encontradas na metragem da área do imóvel ( para mais ou para menos).

Conforme estabelece a legislação vigente as prestações em atraso podem acarretar multa de 02% (dois por cento) sobre o valor da prestação em atraso e juros de mora de até 12% (doze por cento) ao ano.

Na hipótese do vendedor recusar-se a receber as prestações em atraso ou pretender receber valor superior ao que dispõe a Lei, o comprador poderá procurar o cartório onde o imóvel estiver registrado e solicitar que o vendedor seja notificado para receber a prestação naquele local. Ou então, se o preferir, poderá valer-se da Ação de Consignação em pagamento pela via judicial.

Fonte: JurisWay